30/ago/2026
Economia

Dólar avança a R$ 5,19 após discurso duro do presidente do Fed

Declarações de Kevin Warsh sobre juros nos EUA pressionam o câmbio, mas Ibovespa mantém oitava alta seguida

Dólar avança a R$ 5,19 após discurso duro do presidente do Fed

O dólar comercial encerrou esta sexta-feira (28) cotado a R$ 5,196, alta de 0,62%, refletindo a reação dos mercados internacionais ao discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, durante o simpósio de Jackson Hole, tradicional encontro de banqueiros centrais nos Estados Unidos. As declarações de Warsh reforçaram a expectativa de que o banco central americano poderá elevar os juros já em setembro.

Segundo Warsh, o Fed ainda terá trabalho pela frente caso não haja sinais claros de que a inflação subjacente — que exclui alimentos, energia e hipotecas do cálculo — esteja voltando de forma consistente à meta de 2%. A fala fez os rendimentos dos títulos do Tesouro americano subirem, com o papel de dois anos chegando a alcançar 4,35% de rendimento, e fortaleceu o dólar frente a outras moedas globais, com o índice DXY avançando 0,57%, aos 99,668 pontos.

A moeda americana teve um dia de forte oscilação: começou o pregão em queda, chegando a R$ 5,1581, mas passou a subir ao longo da manhã até atingir a máxima de R$ 5,23, alta de 1,30%, por volta das 13h18. No fechamento, houve certa acomodação, e a divisa terminou a semana com valorização acumulada de 1,06%. Ainda assim, no acumulado do ano, o dólar segue com queda de 5,34%.

Mercado de trabalho brasileiro influencia expectativa de juros

No cenário doméstico, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) também tiveram peso nas apostas do mercado financeiro. O Brasil gerou 58.568 vagas formais em julho, número abaixo do esperado pelas instituições financeiras, o que reforçou a leitura de desaceleração do mercado de trabalho.

Esse cenário aumentou as apostas de que o Banco Central poderá reduzir a Selic em setembro. A expectativa predominante entre analistas é de um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa básica de juros para 13,75%, com possibilidade de novo ajuste em novembro. Atualmente, a Selic está em 14% ao ano, enquanto os juros americanos permanecem na faixa entre 3,50% e 3,75% — uma diferença que segue influenciando o fluxo internacional de capitais e, por consequência, a cotação do câmbio.

Ibovespa soma oitava alta seguida

Apesar da pressão cambial, o Ibovespa, principal índice da B3, fechou o dia em alta de 0,30%, aos 175.664,62 pontos, marcando a oitava sessão consecutiva de valorização. O índice chegou a superar os 176 mil pontos ainda pela manhã, mas perdeu força após a repercussão do discurso de Warsh.

Na semana, o Ibovespa acumulou ganho de 2,71%, embora em agosto ainda registre queda de 1,31%. No ano, a alta chega a 9,02%. Os dados da B3 mostram entrada líquida de capital estrangeiro na bolsa: nos últimos quatro pregões, o saldo positivo somou R$ 1,3 bilhão, ainda que o fluxo estrangeiro em agosto permaneça negativo em R$ 18,7 bilhões.

Bolsas de Nova York fecham em baixa

Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street encerraram a sexta-feira em queda, refletindo a perspectiva de uma política monetária mais restritiva do Fed. O Nasdaq, que havia subido mais de 1% na sessão anterior, foi o mais afetado, com recuo de 0,52%, aos 26.402,42 pontos.

O Dow Jones teve leve queda de 0,02%, fechando aos 53.559,99 pontos, enquanto o S&P 500 recuou 0,25%, para 7.711,73 pontos. A alta dos rendimentos dos títulos públicos americanos reduziu o apetite dos investidores por ativos de maior risco, contribuindo para o desempenho negativo das bolsas no país.

Fonte: Agência Brasil — Economia

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